BRASILEIROS
2014
“NEM
CONTRA NEM A FAVOR, MUITO PELO CONTRÁRIO”
Desde quando iniciaram os
preparativos para a copa do mundo de 2014 no Brasil, é comum vermos como andam
os projetos para o grande evento, as grandes obras para receber atletas do
mundo inteiro, turistas e todos os visitantes que possam vir a usar nossos estádios
de futebol, nossos aeroportos, transportes, hotéis e tudo mais.
Juntamente com os
levantamentos de gastos com a copa do mundo, em construções e reformas, podemos
ver com freqüência algumas observações sobre gasto de fortunas enquanto outros
aspectos da realidade brasileira não recebem o mesmo cuidado, como educação,
saúde e segurança, por exemplo. Diante de tantas críticas, que realmente têm
seus fundamentos, somos levados a pensar nas razões, nos motivos pelos quais o
governo brasileiro tem dedicado tanta atenção para que os estrangeiros possam
sentir aqui no Brasil o melhor do
conforto, lazer e segurança.
Passei um bom tempo me
perguntando como tudo isso acontece e aos poucos fui comparando com nossas
casas, quando nos preparamos para receber visitas que consideramos muito
importantes e merecem levar a melhor imagem que podemos mostrar, seja por
vaidade ou por necessidade de uma impressão boa, por um ou outro motivo, seja
profissional, familiar, religioso...
Somos brasileiros, não
desistimos nunca, assim como nunca nos preparamos com antecedência. Em nossas
casas, ou onde trabalhamos, sempre que somos anfitriões, de última hora ou não,
preparamos o ambiente para receber nossos convidados da melhor forma possível,
e nem sempre, por algum motivo, podemos ou temos tempo de preparar tudo
adequadamente ou de forma mais abrangente, e acabamos por dar prioridade a
alguns aspectos que sejam mais visíveis. Quando não podemos reformar toda a
casa reformamos só a frente, colocamos um portão novo, e deixamos aquele
problema do esgoto lá do fundo para depois; quando não podemos ou não queremos
trocar nossas louças e pratarias alugamos umas novas e colocamos as nossas
usadas e velhas num quanto dos fundos, junto com outras coisas que não queremos
que nossos convidados vejam e possam sair comentando por aí que somos muito
pobres, desorganizados ou não hospitaleiros; quando temos um cachorro que lambe
as pernas de todo mundo e não deixa ninguém em paz, amarramos o bichinho lá
final do muro para não incomodar as visitas.
Eu diria que nossa casa
enquanto nação, nosso governo enquanto brasileiro não poderia ser muito
diferente como anfitrião, por natureza de nossa cultura. Não estou defendendo
que o governo deva deixar tudo lado pela copa do mundo, nem que deva deixar a
copa do mundo de lado. Como diria certo ditado, não tenho nada contra nem a
favor, muito pelo contrário.
Manoel Bezerra.
PROMESSA (NÃO) SE PAGA.
Sou um
simples cidadão
De cara nua e
lavada
Que trabalhou
na enxada
Em busca do
próprio pão
Também já fui
um peão
Agora sou
mais letrado
Pretendo dá
meu recado
Ao povo deste
mundão.
Nesta vida de
labuta
De trabalho, de
tormento
Onde muito se
procura
Remédios antilamento
Só se
encontra bula falsa
e promessas
disfarçada
por drágeas
de sofrimento.
Um dia um
cidadão
De humilde capacidade
Veio procurar
ajuda
Pra uma
dificuldade
Ao invés
disso encontrou
Muita
promessa e voltou
Pra mesma
precariedade.
Muito mais
tarde outro dia
O cidadão
retornou
Veio buscar a
resposta
Da promessa
que ganhou
E de novo o
prometido
Permaneceu na
promessa
pro cidadão
sem valor.
Mais uma vez
retornou
O homem da
tal promessa
Entrou foi
logo dizendo:
Me responda
tenho pressa
O doutor vai
ou não vai
Me tirar
deste impai
e cumprir
nossa conversa.
O doutor aí
falou:
Se sente não
tenha pressa
Que vou já te
atender
E tratar
nossa conversa
Que hoje o
senhor só sai
Quando lhe
disser quem vai
Cumprir a
nossa promessa.
O cidadão foi
sentando
E pensando na
conversa
Será que o
doutor é doido
Pensa que me
enrola nessa
Eu vou sair e
m`embora
E no futuro
uma hora
Ele me paga a
promessa.
Até que um
dia o doutor
Sem saber pra
onde ía
Pegou o carro
e saiu
Para buscar
freguesia
E quando
pensou que fosse
Bem de manhã
se tocousse
Que já era
meio dia.
E neste mesmo
momento
Uma coisa se
sucedeu
O combustível
do carro
Simplesmente
pereceu
E pra salvar
o doutor
Eis que
aparece um senhor
Que assim se
ofereceu.
O meu amigo
doutor
Parece um
pouco avexado
O que houve
vá dizendo
Pois não
estou apressado
E quando
chegou bem perto
o doutor
disse Norberto
você aqui do
meu lado!
E Norberto
foi chegando
E foi dizendo
doutor
Com certeza
este teu carro
Perdeu o
carburador
E o defeito
da roda
Que muito lhe
incomoda
Posso arrumar
pro senhor.
Pegou uma
chave inglesa
Um macaco, um
tambor
Pegou também
o estepe
Tampa,
carcaça, platô
E tratou de
desmontar
O carro sem
perguntar
Como foi que
enguiçou.
Depois de
extensas horas
De polca,
graxa e ruela
Norberto
sentou suado
À sombra de
uma favela
Olhando,
então pro doutor
Foi dizendo:
- o seu motor
Está batendo
a biela.
Está quase
acabado
O seu carro
de passeio
O dia também
se vai
Pois até
passou do meio,
Mas agora vou
parar
Pois tenho
que almoçar
Depois volto
e olho o freio.
Nesse interim
o doutor
Ficou sem
ação, sem pressa
Pensando
consigo próprio
Como é que se
sai dessa
E Norberto
matutando
Em cobrar de
S. Ermano
Uma antiga
promessa.
Nisso o tempo
foi passando
E o doutor se
aperreou
Mandou chamar
por Norberto
E logo lhe
perguntou:
Quanto lhes
custa o conserto
Me diga que o
trato é certo
Prometo para
o senhor.
Norberto lhe
respondeu
Não carece de
pagar
Basta entra
no seu carro
E botar pra
funcionar
Acelerar, ir
embora
Que aquela
promessa, agora
Tu me acabou
de pagar.
Autor: Valter
Oliveira
“Feito nas Coxas”
Em primeiro, sugiro ao visitante
que não tire conclusões precipitadas ou faça prejulgamentos, leia atentamente o
texto e assim compreenda o titulo.
Ao visitar essa semana o Museu
dos Inhamuns, que fica localizado na cidade de Tauá, deparei-me com muitos
objetos, fotos, artigos artísticos, religiosos e outros que contam muito da história
da povoação local, que aqui referencio ter iniciado em meados do final do
século XVII e inicio do XVIII.
Pois bem, um dos objetos que me
chamou atenção foi uma telha trazida para o museu e que veio de Cococí, que
fora um das primeiras cidades a ser construída na região e que hoje voltou ao
estado de distrito sobre a jurisdição do município de Parambu.
A telha era por sinal muito bem
trabalhada, grande como os demais materiais utilizados paras as construções da
época, fornida, formosa e de muita resistência, afinal ainda dura intacta até
os dias de hoje.
Mas o que me chamou a atenção foi
a explicação dada pelo funcionário do museu, que esclareceu que as telhas por
ainda não terem sido feitas em moldes, eram moldada nas coxas dos escravos(as),
o que poderia ocasionar distinção nos tamanhos, e que desse trabalho surgiu a
expressão “feito nas coxas”, cabe aqui dizer que essa expressão em seu
primórdio designava um trabalho que era bem feito e sinônimo de posteridade.
Diferentemente do uso atual, que
expressa quando alguma coisa está mal feita, ou feita às pressas, ou até como
declaração pejorativa para o trabalho de alguém . – O trabalho de fulano de tal
é “feito nas coxas”.
Outro objeto que vi no museu e
que tem grande pompa, foram os estribos das selas que também geraram uma
expressão popular. Disse do homem que é muito rico ou com muitas posses, fulano
é “estribado”, nada mais correto, muitos desses objetos foram feitos sobre
encomenda dos coronéis donos das terras.
E ainda segundo o que se conta,
quanto mais trabalhado fosse o estribo, mais rico era seu dono, isso pode ser
visto pelos detalhe em prata e por vezes até em ouro que ainda são encontrados
nessa indumentária das selas.
Pobres mesmos eram os escravos e
moradores, que normalmente andavam em “osso” ou em cangalha. Olha aqui outra
expressão, que também não mudou muito o seu sentido. “Andar em osso” significa
montar sem sela, cavalgar sem proteção ou forro, isso costumeiramente ainda é
dito enquanto expressão para quem faz algo sem proteção ou andar sem proteção
nas partes baixas, no popular, sem cueca,assim que o diga um amigo que tenho no
bairro caiçara em Aiuaba !
Por fim é diferente do sentido
pejorativo que alguns leitores possam ter inicialmente imaginado ao ver o título,
esse texto foi sim “feito nas coxas”, na melhor das intenções que a expressão
possa tratar.
Tarcisio Mota
OS TIPOS DE ELEITOR (De Manoel Bezerra)
Eu
tava aqui matutando
Fofoca
de eleição
Foi
saindo uma muagem
Meu
pensamento pensando
Na
ruma de candidato
Que
apareceu no sertão
Mas
notei de outra banda
Que
as coisas mudificou
Da
parte do eleitorado
Pois
vejo que atualmente
Nos modos
do eleitor
Muita
coisa tem mudado
O
eleitor mais moderno
É
artista de primeira
Tem
várias categorias
De
toda espécie e maneira
Pra
trazer pros candidatos
Motivos
de alegrias
Tem
eleitor preparado
Que
prepara um documento
E
faz um levantamento
Pra
ver o que vai pegar
Quantos
votos vai vender
E
pra quantos vai votar
Eleitor
criterioso
Só
vota por seu motivo
Tem
deles que até planeja
Anota
tudo num livro
Pra
que o candidato saiba
O
que é que ele deseja
Tem
eleitor folião
Que
só pensa na festança
De
candidato de festa,
Que
bebe, canta e dança.
Candidato
muito sério
Pra
esse eleitor não presta.
Tem eleitor solidário
Que
tem o coração nobre
Que
vota pra ajudar
Um
candidato mais pobre
Que
humilde lhe pede uma ajuda
Para
a vida melhorar
Tem
eleitor que é bruto
Que
vota no candidato
Que
sabe que não faz nada
Que
não faz nem uma ação
Para
que este, de fato
Não
cause decepção
Tem
eleitor leiloeiro
Que
fica só esperando
Do
primeiro ao derradeiro
De
mão na calculadora
Pra
ver qual o candidato
Oferece
mais dinheiro
Tem
eleitor de beleza
Que
vota na candidata
Do
retrato mais bonito
E as
eleitoras que votam
No
sujeito abonitado
Sem
ligar pro que ele faz
Tem
eleitor maratona
Que
nem corre e nem se vende
Não
se troca por dinheiro
E
vota no camarada
Que
chegar em sua casa
E
pedir voto primeiro
Tem
eleitor hereditário
Que
vota em primo, sobrinho
Põe
a família na frente
Se
não tiver ele ajeita
O
candidato mais forte
E
fala que é seu parente
Ser
votante no sertão
Aguentar
os candidatos
Pedindo
até por amor
Já foi
trabalho mais fácil
E se
brincar, meu irmão
Tá
mais fácil ser candidato
Do
que ser um eleitor.
SOBRE
O QUE ESCREVER
Na primeira
semana do que consideramos o lançamento do Aiuaba Digital já deu pra sentir os
efeitos da responsabilidade de se lidar com comunicação. Uma leitora da coluna, pelo bate papo
do facebook já me cobrou novas postagens no blog, e brincou: Quem mandou
inventar? Agora tem que atualizar! Isso realmente nos incentiva a manter a
coluna renovada, mas aí me pergunto: o que escrever? Ainda não estabelecemos
uma sintonia entre os leitores a ponto de haver uma tipicidade textual. Como
bem colocou nosso colega de coluna, Tarcísio Mota, escrever não é uma arte
fácil.
A princípio nos deparamos
com pelo menos duas situações possíveis: falta de assunto pra escrever e
assuntos demais pra escrever. No primeiro caso é fácil de se resolver,
simplesmente não se escreve, e no segundo é difícil de se decidir. Pense num
negócio complicado é escolher sobre o que falar num canal de comunicação!
Política, é um assunto bom
demais, mas não tem fim, nem adianta começar! Mas estou por aqui pra falar umas
coisas.
Sobre a seca no sertão,
ninguém tá nem aí porque tem a safra da eleição e do bolsa estiagem, no popular
seria bolsa sêca, que vira bolsa cheia pra quem tava sem dinheiro.
Pra falar sobre religião,
ave Maria, todo mundo esperando a festa de agosto em Aiuaba, e eu esperando o
Pastor Alexandre trazer a mensagem espiritual para nossos leitores.
Sobre futebol, essa não é
muito minha praia, mas estamos acompanhando a Copa Aiuabense de Futebol de
Campo.
Histórias de pescador, essas
tem muitas, mas ninguém iria acreditar, mesmo sendo verdadeiras são
inacreditáveis. Enfim, sinto muito, mas hoje estou extremamente indeciso, não
vai dar pra escrever nada. Mas prometo em breve escrever alguma coisa.
Manoel Bezerra
A Difícil Arte da
Escrita
Dedico esse
texto aos leitores do Blog Aiuaba Digital, espero que ao longo do percurso
possamos trocar ideias, relatos e experiências que venha a enriquecer nossa
cultura e somar com o trabalho que será feito. Vou tentar agora contar um pouco
de minhas vivências e nos próximos textos realizar pesquisas na cidade para
resgatar as histórias locais vistas de uma perspectiva diferente da que
costumeiramente vemos nos livros didáticos e documentos oficiais.
Escrever não
é nada fácil, passar horas e por vezes dias a fio lendo e pensando no como
fazer a escrita tornar-se agradável e atrativa aos olhos do leitor é uma tarefa
dura. Mesmo quando desejamos um texto simples, esse é feito e refeito, lido e relido
por diversas vezes, até que se construa uma história, que pode ser poética, de
ficção, histórica dentre outras modalidades, que sintetizam a mensagem que o
escritor passa aos interlocutores.
Não trarei
aqui uma fórmula pronta e acabada de como o fazer para escrever. Se aos que estão do outro lado, procurarem
por informações mais detalhadas vão certamente encontrar na internet uma vasta
fonte de pesquisa, com muitos textos interessantes enfocando a estrutura da
escrita, como construir o enredo, pensar os personagens, dar características
distintas a cada um deles, descrever os espaços, o tempo e as situações em que
a história acontece. Daí que isso pode trazer de uma maneira mais detalhada os
passos necessários à uma boa escrita e aqui acrescento que para escrever bem,
devemos ler muito.
A leitura é sem duvida a principal
ferramenta que da subsidio ao escritor, não que o um bom leitor seja necessariamente
um bom escritor, mas certamente terá muito mais bagagem e conhecimento para
assim o fazer. Diferentemente de quem não possui esse hábito, terá dificuldade quando
se deparar com o desafio da escrita.
Minha experiência com a escrita, além
das que tive na escola, foi aprimorada quando da superação de uma dificuldade
que tive ao final do 2º grau. Quando fiz o vestibular, me deparei com a temida
redação, que acredito ainda amedronte a muitos alunos que cursam o Ensino
Médio.
Para superar essa dificuldade, segui
o conselho de um amigo, que me incentivou a ler e escrever mais. No momento ele
me apresentou a revista Na Poltrona, publicação de divulgação da empresa de
ônibus Itapemirim. E nela, encontramos vários endereços de pessoas que
gostariam de manter correspondência e fazer amizade com pessoas de todo o
Brasil.
Esse foi o primeiro passo para que
durante os 6 meses seguintes, pudesse trabalhar e melhor a escrita. Pois bem,
as primeiras cartas necessitavam de vários e vários rascunhos que eram feitos,
corrigidos e refeitos, para que se chegasse a uma carta que fosso bem redigida
e sem muitos erros ortográficos.
Após isso, procuramos fazer uma carta padrão
que era enviada aos novos correspondentes. Quando essas voltavam com resposta, procurávamos
corrigi-las, respondê-las adequadamente e enviá-las de volta.
Nessas idas e vindas em cada novo
texto feito, melhorava a redação e consequentemente a maneira de se escrever. Todo
esse trabalho rendeu frutos, pois ao final do semestre pude passar no
vestibular e em fim cursar faculdade.
Esse relato de minha vivência com a
escrita reflete a dificuldade que muitos de nós passamos frente aos desafios de
colocar no papel nossas emoções e histórias. Confesso que para chegar até aqui,
muito dias já se passaram desde que esse texto começou a ser escrito, foram
idas e vindas na busca de inspiração para escrever. Mais que bom que em fim
tornou-se concreto o que antes em mente pode hoje ser expresso por palavras.
Tarcísio Mota
A
FOTO DO FATO OU O FATO DA FOTO
Em toda minha vida de
fotógrafo amador passei por muitos momentos distintos e inusitados, foram
tantas mancadas, cenas, decepções, pois fotografar pessoas sempre causa, uma
hora ou outra, algum incidente. Já estraguei um filme inteiro e tive que dar
explicações em vez das fotos, já fiquei sem bateria antes da hora... e aí vai,
fora os casos de foto de menino chorando, de pessoa tímida, de mulher gorda que
quer porque quer ficar magra na foto, de pedido de foto escondida pra fazer
macumba ou pra admiradores envergonhados, de bêbados e tudo mais. Mas foi no
último final de semana que pude passar por uma das maiores vergonhas que um
fotógrafo poderia passar, amador, claro. Saí pra fotografar a banda Brothers do
Forró, que estava fazendo uma festa, e levei duas pilhas na compacta e mais
duas no bolso, cheguei lá, fiz as fotos do pessoal da banda, saí pra comprar um
refrigerante e encontrei pela janela do bar uma moça (depois ouvi alguém falar
em senhora, não sei) muito bonita, maquiada e pedi pra fazer uma foto dela para
colocar no blog, mas não falei que seria para o blog, falaria depois, e ela
autorizou e fez até pose, mas a abençoada da bateria descarregou bem na hora do
click, até aí tudo bem, o pior foi pegar as pilhas do bolso e passar pelo mesmo
constrangimento. Fiquei sem saber onde colocar a cara, sem saber o que dizer,
não poderia haver desculpas, foi o cúmulo. Não tive outra coisa a fazer senão
ir embora com aquela câmera inútil e ingrata, não pela foto, mas pelo vexame.
Não faço idéia do que ela pode ter ficado pensando, mas acredito que tudo que
não seja numa crônica nascida de tal incidente, pois não poderia fazer mais
nada, nem mesmo pegar mais pilhas, outra câmera... mas com que cara eu pediria pra tirar outra
foto?
Dizem que uma imagem vale
mais que mil palavras, esse texto anda longe de ter mil palavras, portanto
longe de substituir a foto que teria tirado se as pilhas não tivessem
descarregado, mas se não tive a imagem, não posso fazer outra coisa. Quem sabe
um dia ela leia e talvez não fique pensando que eu poderia estar brincando e que
daquela cena sem graça não saiu uma fotografia, mas saiu uma imagem do reflexo
dos fatos da foto.
Manoel Bezerra
SOMBRA
DO PROGRESSO
Semana passada ocorreu-me um fato
interessante, não por ser um ato agradável, mas por abrir ima reflexão digna de
atenção. Ao término de uma etapa de trabalho de um letreiro, enquanto saí por
alguns minutos, tive meu material de trabalho roubado. Isso mesmo, no momento
não acreditei, pensei que fosse brincadeira até que vi que o negócio é sério.
Este título poderia parecer contraditório ou
no mínimo irônico se não viesse de fato revelar uma realidade sutil e concreta.
Como tudo nessa vida tem alguma coisa de positivo, não me restaria mais nada se
não pensar por este viés, que este pequeno fato pode ser sinal de uma grande
mudança, não apenas para mim, mas para todos os moradores de uma comunidade
pacata de uma cidadezinha pequena do interior.
Visto que a partir de então não terei mais a confiança de largar todo
material e equipamento pelas calçadas da cidade, provavelmente terei que
investir na segurança do mesmo, no transporte para não deixar que roubem tudo
de novo, e isso gera renda, faz circular algum dinheiro, o que significa sinal
de progresso para esse sistema capitalista. Considerando que a mesma coisa
aconteça ou já tenha acontecido também com outras pessoas, será produzida a
mesma mudança.
O risco de sermos roubados nos empurra para
uma mudança positiva: investimento em segurança, equipamentos, pessoal, novos
padrões nas construções, técnicas e tecnologias. E tudo isso gera trabalho e
renda, e ainda nos proporciona outro bem valioso, a desconfiança, por mais
absurdo que possa parecer, esta impulsiona muita mudança no padrão de vida de
uma sociedade.
Do contrário, a confiança que é um bem
considerado positivo, produz entre seus frutos alguns extremamente indigestos,
um lixo para os tempos modernos, como por exemplo, a cordialidade, a comodidade
vulnerável. E esta confiança tem como representação desastrosa aquela famosa situação
em que recebemos um ataque e não temos ideia de onde veio, justamente por
pensarmos que estamos em um meio confiável. Por enquanto vou continuar pensando
na razão de terem levado meus pincéis, deve ter sido alguém que me conhece, que
não vai usar e nem vender... Vai ver foi uma brincadeira, o que seria outro
fruto venenoso da árvore da cordialidade tratada por Sérgio Buarque de Holanda
como um atraso social no Brasil.
Manoel Bezerra
COM
QUANTOS PAUS SE FAZ UM BLOG
Quantas
coisas nessa vida nos surgem em momentos inesperados, surpreendentes talvez,
por puro acaso. E nesse momento de escrever o primeiro texto para esta coluna,
é justamente esta atitude que compõe nosso material literário, nosso próprio
texto e objeto de nossas palavras. O texto do texto, a metalinguagem.
Depois
do “Aiuabace”, com comentários anônimos, que só poderiam ser anônimos; do quase
banimento do Orkut, e em vésperas de período de campanha eleitoral, a delicadeza
com que se deve trabalhar com qualquer meio de comunicação é maior do que em
qualquer outra época. Por isso o blog Aiuaba Digital se apresenta ainda
timidamente, discreto, mas com intuitos de fazer com que sua propagação seja a
melhor possível. Justamente porque aqui ainda se busca saber pra que é mesmo
que serve um blog, e com quantos paus se faz um. Para quem mora na cidade e
para quem acompanha de longe o passar da vida por aqui, o blog pretende
proporcionar a melhor cobertura
informativa social e cultural.
E
esta coluna, especificamente, pretenderá apresentar um texto periódico, leve,
simples, espiritual, tranqüilo, mais literário que qualquer outro, mas
perspicaz, e sempre pautado em algum lapso de realidade. Pelos olhos e pela
interpretação de um ou de outro autor, a realidade na tela, da tela, pela tela,
pelos olhos de quem olha o mundo não apenas pela janela virtual, mas pela
janela da vida e do dia-a-dia. Diria que das vezes em que eu escrever e ou
fotografar, buscarei o que há de mais simples, o superficial não supérfluo, o
quase invisível, mas significativo, como um crepúsculo, uma cena distraída de
criança brincando... algo assim que possa fazer alguém encontrar um sentido
quando complementar com sua forma de perceber cada nuance, de palavra, de
imagem, entrelinhas ou de luz.




Dos textu de Tacisu e Manué
ResponderExcluirQue acabei de lê
Tô postano esse comentáru
Pra ocês aí pudê vê
Que tô aqui chêa de emoção
Com o trabaio tão bunitu
E fulorado de inspiração
AMEI,NUNCA DESISTAM VCS SEMPRE TERAM O MEU APOIO.TODOS Q CORABORARAM ESTÃO DE PARABÉNS.
ResponderExcluirProcurando sobre Aiuaba, o município, "caí" cá. Gostei e vou vir mais...Estou fazendo postagens sobre todas as cidades de Ceará...Aiuaba, é a próxima!
ResponderExcluirContinue, está muito bom, primo!